Projeto “ESCRITA DANÇANTE”
26/08/2020
“No vazio também existe dança”
Confesso que esta semana foi mais difícil escrever. Por que será? Era o que me perguntava ao inciar nossa conversa. Escrever é um processo que exige construção e requer concentração e criatividade. Desde a alfabetização nos dizem que a escrita é um processo natural, não é, aprendemos errado? Não chega a ser errado, mas talvez, uma definição incompleta ou algo a ser melhorado. Pois bem, e o que isso tem a ver com nossa escrita dançante? Volto a dificuldade de escrever esta semana e percebo que neste vazio de ideias existem ainda mais ideias, estas que surgem do nada, surgem de relações e conexões que nosso cérebro vai fazendo, as chamadas sinapses. Na dança isso também ocorre. Por vezes uma coreografia, um movimento surge de uma baita ideia, motivação e ou incentivo, mas outras vezes surgem no tal vazio. E foi neste vazio que escrevendo foram surgindo ideias, borbulhando movimentos e, como uma rede de relações a escrita foi sendo construída e acreditem, uma dança também, sim, com um início no vazio, no ponto zero, paradinha, mas depois transformou-se em movimentos redondos, fluidos, acelerados e desacelerados, constantes e inconstantes. Assim como nossa escrita o movimento se transforma, é construído e não natural. Natural são as sensações que este provoca. E foi neste movimento entre dança e palavras que descobri um vazio que na verdade escondia ideias, estava na verdade cheio e não vazio, transbordava significados, pois toda construção inicia de algo vazio e depois ganha forma, necessita de um espaço e requer amplitude. Assim a forma do movimento depende do espaço que a dança ocupa e da amplitude da escrita que ela promove.


