Escrita Dançante – Carina de Oliveira 16/12/20

ESCRITA DANÇANTE ESPECIAL
COLHER CRIATIVIDADE APRESENTA: A DANÇA COMO FERRAMENTA SOCIAL, POLÍTICA E HUMANA
Carina de Oliveira 16/12/20
Olá dançantes! Saudades de nossa conversa, de nossas reflexões. Hoje é dia de celebrar, mas sem esquecer de refletir sempre, de compreender a dança como ferramenta social, política e humana, principalmente no momento atual em que vivemos, não falo somente da Pandemia, mas de tudo que ela traz consigo, ou seria melhor dizer, tudo que as pessoas estão ou não estão fazendo sobre ela, com ela, para com elas mesmas e com o outro.
Mas, como disse no início de nossa conversa hoje vamos celebrar, agradecer, refletir, pensar juntos sobre o maravilhoso momento vivido pelos alunos, coreógrafas, minhas manas, aliás que tanto me orgulho, no início de dezembro, onde realizaram, no Studio, com todos os protocolos de segurança, as gravações de nosso espetáculo Colher Criatividade, e nós, público, admiradores da arte, da dança, vamos ter o privilégio de degustar. Digo degustar por fazer uma analogia com a culinária referida através da colher, essa que mexeu e remexeu nossa dança, encheu nossa quarentena através de pesquisas de diferentes assuntos que inspiram este lindo espetáculo.
Confesso que entre os dias 30 de novembro e 05, 06 de dezembro uma nostalgia e para não dizer, talvez um a pontinha de tristeza, misturada com saudade bateu em minha porta, nestes 23 anos do Studio sempre estive a frente, com minhas manas na direção artística dos espetáculos, principalmente na sonoplastia, nos últimos anos com a parceria de meu amigo Ade, da Casa de Cultura de Caxias do Sul, minha cidade Natal e onde fica nosso Studio, mas este ano, como tudo, este momento também foi diferente. Por segurança, não pude estar presente nas gravações, mas minha colher mexeu por aqui também, emanando energia positiva e muita, muita dança.
Poderia ficar aqui escrevendo de cada coreografia apresentada neste lindo espetáculo, fruto de um projeto magnifico – Colher Criatividade, mas vou resumir de forma a indagar e provocar cada um de vocês a assistir o espetáculo, em nossas plataformas sociais, em especial em nosso canal no Youtube. Cada movimento apresentado foi, sem dúvida social, digo isso porque através do tema de cada coreografia, os alunos mostraram momentos históricos importantes, artistas, figuras marcantes para nossa sociedade, uma dança também de contestação política sim, fazendo o público compreender que o ano passado “eu morri”, “mas esse ano eu não morro”, como diz a música tema do documentário “Amarelo”, de Emicida, o qual fez parte do projeto e serviu de inspiração para a coreografia final.
Um espetáculo humano, cheio de vida, a colher inicia a batucada e perpassa a arte, o grafite, os estilos variados de dança, as tendências mundiais atuais, a música e sua importância na constituição de nosso País. Fridas e Elis Reginas, unidas através da arte, música e dança, pedindo sim um mundo melhor. A educação como ferramenta para mudar o mundo, mostrada na coreografia sobre o filme “O menino que viu o vento”. Um pedido, para não dizer súplica através dos movimentos e da música “ valsinha” de Chico Buarque, entre tantos outros momentos maravilhosos reunidos neste espetáculo.
Convido a cada um de vocês, leitores, amigos, seres dançantes, assistam, degustem, se deliciem com este espetáculo que une o que de mais importante hoje se faz urgente, a empatia, o amor, e principalmente o respeito ao outro. Com vocês, o espetáculo mais presente que poderíamos ter feito.