Nos últimos dias recebi o contato de algumas pessoas pedindo consultorias e todas perguntaram: Qual o valor da sua hora? Confesso que o meu coração se encheu de alegria, não porque era um novo trabalho, mas porque a nossa classe tem pensado um pouco mais profissionalmente quando acessa o outro. Com isso quero levantar um questionamento para nós: Qual o valor da sua hora? Do seu texto? Da sua consultoria? Qual o valor do projeto ou da ideia que você discute no Whatsapp? Quando estamos preparando nossos textos, aulas, coreografias também estamos trabalhando. Será que já pensamos no valor de todos os investimentos que fizemos em nós mesmos para podermos dividir e trabalhar com a arte que nos move? Não posso entregar um texto, um slogan, uma reportagem, analisar o Instagram do colega, ver o vídeo produzido pela escola sem encarar isso como trabalho. Por que este “É” o meu trabalho: pensar, falar e escrever sobre dança, independente de tempos de caos ou crise, porque gestão de crise também é trabalho (um trabalho e tanto!). O mesmo deve acontecer com você. Ninguém pode te ligar e dizer: Dá um passo para a minha nova coreografia? Faz esse balé para mim? Temos que nos valorizar. E sinto que cedemos demais. Cedemos por medo de dizer não, por medo do que o outro vai achar, por medo de perder o colega de classe. E por favor, não generalizem: fazemos trabalhos que são importantes para a classe, trocamos com amigos queridos, ações voluntárias fazem parte do nosso papel, dividimos ideias. Mas existe diferença entre uma consulta e uma pergunta. Essa reflexão é apenas para podermos olhar para trás e nos valorizarmos como artistas e sabermos que temos valor (lembrem-se que é diferente de preço e não usei essa palavra aqui). Você já deve ter ouvido a célebre frase de Cacilda Becker: “Não me peça para dar de graça a única coisa que tenho para vender”. Pense em você. Se dê valor. E se esse café tiver sabor: valorização do artista, por favor.
Obrigada por tanto!! Nos representa!!


